silence is golden

Ato VIII)

Seguindo nossas vidas, juntas, mas sem estarmos realmente juntas, levamos todos os corações que pudemos nesse caminho.


Paqueras, festas, ironias do destino… seguimos passando o rodo pra depois nós jogarmos nesse caminho. Engraçado, que mesmo sem sermos jogadoras do nosso jogo; nós éramos o jogo (já disse mil vezes). Ela tinha um PS3 assim como eu, e escondida, ela jogava o meu jogo favorito. Uma contra a outra, uma com a outra.

Alguém um dia me apresentou uma menina, daquele jeitinho, me dizendo “ei tem fulana, ex de ciclana; fala aí com ela.” E assim foi, eu fui mandar uma das minhas SMS pra ela. “Tô aqui na minha aula de biologia” é isso virou um hábito. Viramos amigas de SMS que de amigas não tínhamos nenhuma intenção em ser. Combinamos um dia de todos irmos almoçar no mesmo shopping caótico que eu sempre ia. Lembro demais do seu semblante, sentada de longe, ao me ver. Era a minha forma de ir vivendo.


Me iludindo por aí de que eu precisava magoar mais pessoas, enquanto eu mais queria era usar toda essa vontade e transformar em palavras pra dizer pra todo mundo: “Vamo me ajudar a resolver nossa vida e deixar isso acontecer???”


Resultado: Namorei essa moça e posso dizer que nem ela escapou do caos que tudo foi. Que tudo se transformou. E me transformou também. Momentos bons e muitos ruins, mas sobrevivemos. E adivinha só? Meu coração começou a bater mais e mais forte. Por quem?


A moça da regata preta.


- Disclaimer: Cheguei a namorar as duas ao mesmo tempo. Uma delas sabia. Assim, não concordava, mas eu era uma covarde demais pra soltar o caos que eu tava imersa. E ela resolveu me acolher mesmo assim. Sério, que pessoa faria isso?


Ela fez. Ela me acolheu; mesmo namorando outra pessoa; e me mostrou que eu só namorava a título mesmo. Que eu pertencia somente à ela.

Ato VII)

Em nenhum segundo momento, voltamos a ser nós duas, mas onde nos viam, éramos nos. Escondidas, fugindo, sumindo, se encontrando, se vendo, se desejando, nos desejando, nos fazendo presentes. Sem querer, mas querendo toda hora: nós éramos de nós duas.


Uma festa? Eu estava? Ela também? Juntas estaríamos. Trancadas em algum banheiro, em algum quarto, encostadas em algum carro… Essa éramos nós. Poucas palavras, muitos sentimentos. Nos deixamos a conversa para o celular, e a vida para nossos corpos. E que vida…


A memória realmente é uma bagunça, mas todos os momentos estão aqui… E eu me lembro, lembro de tudo.

Lembro da nossa primeira… na casa de uma amiga. Eu lembro cada detalhe até da portaria. Da decoração do quarto.. Do detalhe da roupa… E da falta dela. Lembro da ligação de uma amiga “ei, tu quer teu sanduíche com picles?” MEU AMIGO eu tô nem aí pra isso, não me liga não, atrapalhando o negócio. Que dia, que primeira vez, que primeira vez tudo. Tantas emoções, e não digo nem por ter sido no sentido de “ah foi perfeito”, mas foi perfeito por que fomos nós. E eu lembro dessa forma. Enquanto ainda éramos namoradas em algum ato perdido.


Existe um momento também em uma festa na casa de um amigo em comum, na Ana Bilhar. Já depois de tantos atos, hiatos e boatos; nos vimos daquele nosso jeito caótico: sem palavras. E por algum motivo, decidimos usar palavras. Depois de muito álcool nós resolvemos realmente abrir a boca e falar.


“Eu queria te dizer algumas coisas” Que coisas? (Eu uma grande detentora de talentos de comunicação e organização emocional) “umas coisas que sinto” E o que é? (enquanto meu coração pulava fora da caixa, meu sistema nervoso ceberal já nem funcionava mais. Minhas mãos suavam. Meu braço tremia. Minha cara se mantinha de como eu tivesse tudo sob controle, mas estava sabendo até a ordem em que o jogo de luzes trocava de cor; Que carro passava na rua; Que música tocava… Que pensamento eu tinha naquele mesmo momento)


O pensamento era [fala pra mim, fala o que você sente que eu sei que você já sabe que eu sinto] e eu já não aguentava mais ficar 1 cm longe dela, mas aquele momento era importante. Estávamos do lado esquerdo da varanda. Eu usava uma blusa rosa da Hurley. Ela usava uma de suas regatinhas pretas. Tinha o cabelo solto, e me olhava sentada no chão. Chorava, mas não era tristeza. Talvez fosse, mas lembro de ser confusão. “Que confusão nós estivemos desde sempre não é, meu amor?” - Concordou.


Então ela disse:


- “Eu…*respirou* eu te amo, cara.”


Se eu pudesse recriar esse momento, seria exatamente o mesmo, mas com Lana tocando ao fundo. Eu fui fraca de palavras, mas fui muito forte de sentimento. Ninguém ensina uma criança de 17 anos a falar, mas aquela menina de 15-16 tinha o que era preciso pra fazer acontecer. Porra, que menina… foda vai tomar no cu.


Foi o beijo mais eterno e mais cheio de sentimento que eu tivera dado. O que eu sentia naquele momento não era mensurado em palavras. Não tinha “eu te amo” que pudesse eternizar o que ela tinha acabado de fazer. Eu dizer isso ou até mesmo um “eu também” não tava no roteiro. O momento era dela, foi a hora dela de me puxar o tapete, foi a hora dela dizer o que pensa; de fazer acontecer e me pegar pra ela. Pra sempre.

Ato VI)

A memória já me falha, mas é impossível não lembrar, mesmo que picotado. Desde então, sem estarmos namorando, nossa vida seguiu. Mas seguiu pra onde? Só deus sabe.


Primeira namorada não se esquece; mas como essa era pior ainda. “Tive” que seguir a vida (como toda adolescente de 16 anos no ápice da sua idade fértil) e ir viver por aí. Encontrar bocas pra beijar. Meninas pra me destruir.


Me lembro de duas especificamente. A primeira, foi uma coisa tão sem sentido; mas considero ser realmente minha primeira traição. Eu me apeguei a uma menina com o mesmo nome que eu, mais velha 5 anos (thoughts??). Tinha uma viagem com meus pais marcada, um hotel 5 estrelas com all inclusive. Eu bati o pé e disse que não ia, pois queria ir a um evento de anime (que eu nem gostava, era só pelo motivo de vê-lá lá). Assim foi feito. Segui gostando pouco menos de 1 mês dessa criatura.


Um dia, ela sumiu. Assim, viraram dias. Uma mensagem depois: “Vi a amanda com a ex dela. Parece que voltaram tem um tempo”. Aquele famoso “a conta não fecha”. Sabe o que eu fiz?


“Nunca mais eu beijo ninguém”



Durou 2 meses tá? Ainda durou muito.


Completamente frustrada, no cio e inconsolada eu decidi buscar ajuda. E por ajuda, digo: uma boca pra beijar. De alguma forma, o universo me mandou a pessoa 2.


Essa criatura, bom, essa pessoa, única como só ela; apareceu na minha vida. Primeira vez que a vi foi em um rodízio de pizza. Depois, em um evento com pessoas aleatórias. E aí, veio aquele bom e velho cinema. Depois do meu hiato físico, eu estava doida pra beijar por hooooras intermináveis. Eventualmente, me apeguei.


Trocávamos (agora com um plano de celular melhor) muitas mensagens, várias no facebook, memes antes mesmo deles existirem.. E muitas saídas pro shopping. Era no Game Station que nos … víamos … rs. Ela também tinha o grande poder de ligação, e 1 ou duas vezes por semana passávamos a noite conversando.


Uma noite, ela me disse que ia viajar para o interior e ia conversar com a ex dela (?????? mas quem era eu né). Sem problemas, pode ir oxe. 15 dias depois ela voltou e continuamos de onde paramos. Acho que já estávamos saindo há uns 2 meses. Até quem um dia, a moça dos atos anteriores ressurge de alguma forma que realmente não lembro.


“meu deus não tô nem acreditando”


Naquele momento eu estava com:

- uma boca 100% certa de beijar toda hora

- o amor da minha vida que tinha sido roubado de mim


O que uma pessoa sã faria? Isso mesmo, tentar se dividir entre as duas.


Mas já tinha se passado um tempo desde o caos do nosso término e eu já não sabia mais o que sentia e por quem sentia. Afinal, o que era sentir…


E aí, brincando de malabarista, tive meus bons momentos com a menina 2 e algumas vezes consegui sair com a JJ do nordeste. Encontros no shopping seguindo como o sonho, mas tão difíceis. E é aquela coisa, tudo que é mais difícil, que é proibido e inconveniente: é melhor.


Entre um dia e outro, essa menina me liga de novo:


“Olha, a vida tem alguns pilares. Sabe, pilares… (*muita contextualização, metáforas e termos religiosos*)


(…)


eu preciso de um tempo pra me reconectar com Deus”


- _e eu te afastei dele foi? oxe_


Enfim, sua eu pedido foi atendido. Segui com minha vida indo direto pra fonte da minha juventude: a boca dela. Se você perguntar a qualquer pessoa quem foi a pessoa que mais beijou no ensino médio certamente vão dizer que foi eu e ela. Bom d+++


Alguns dias se passaram, e eu segui cada vez mais me apaixonando por ela. Não tinha como. Desde o primeiro olhar, o primeiro sorriso. O primeiro término. O primeiro reencontro. O primeiro perrengue. O primeiro ninguém esquece. Era impossível negar, nós sempre fomos apaixonadas uma pela outra. E seguíamos com esse plano.


“Oi. Sonhei com você e ela juntas. Sei que isso não tá acontecendo, mas queira que não fosse assim”

- a menina some pra encontrar deus, volta freira e me diz que não queria alguma coisa???

(Ah sim! Depois que ela foi reencontrar deus e eu fiquei pra trás, ela voltou como Freira e sensitiva. Me disse que não poderíamos mais ter nada pois ela agora era serva do SENHOR e isso não era certo. Sofri? Sofri sim, mas meu amigo, como é que sofre muito quando você tá agarrada naqueles cabelos ondulados???)


Voltando: Sim, se até tu sonhou, avalie eu kkkk


Mas eu e ela não estávamos namorando. Éramos uma, mas ao mesmo tempo nenhuma.

raiseyourgoblet-of-rock:

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Of course, that’s tobacco

space-pics:

Hubble Spots Galaxy’s Dramatic Details by NASA’s Marshall Space Flight Center

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